Compositor: Cezar Marques da Silva
Eu flutuo pela janela, os anos se esvaem lentamente
O riso deles ilumina ambientes que eu jamais conhecerei
Mãos que antes tremiam agora seguram o Sol
Eles construíram o mundo em que eu morri jovem demais
Eu sussurro nomes que eles nunca ouvem
Mas cada sorriso ainda me atrai
Uma canção de casamento, o choro de um recém-nascido
As estações giram, as estrelas respondem
Seus rostos se suavizam, marcados pela graça
Enquanto eu permanecer um vestígio congelado
A alegria deles é um fogo, a minha é a fumaça
Um coração silencioso que jamais se quebrou
Eles continuaram vivendo, eu permaneci imóvel
Presos ao vento, acorrentados pela vontade
Eles envelheceram, suas histórias se tornaram profundas
Eu sou a sombra que o tempo não guarda
Eles se sentam junto à fogueira, a noite se torna rarefeita
Eles falam do menino que eu poderia ter sido
Suas risadas se dissipam na chuva silenciosa
E ainda assim permaneço, preso pelo nome
Suas velas queimam, eu observo o brilho
A luz que perdi há tanto tempo
Eles continuaram vivendo, eu permaneci imóvel
Presos ao vento, acorrentados pela vontade
Eles envelheceram, suas histórias se tornaram profundas
Eu sou a sombra que o tempo não guarda
Eles continuaram vivendo, eu permaneci imóvel
Presos ao vento, acorrentados pela vontade
Eles envelheceram, suas histórias se tornaram profundas
Eu sou a sombra que o tempo não guarda